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SABOR VALENCIANO CONTEMPORÂNEO


Uma trajetória fulgurante que resgata as raízes da tradicional cozinha valenciana e adiciona um discreto charme moderno. Ricard Camarena, 35, proprietário do Arrop, uma das jóias da gastronomia espanhola, vem pela primeira vez ao Brasil como um dos mais prestigiados chefs da nova geração.

 “Ir ao Brasil é um sonho. Aliás, desde que me convidaram estou sonhando todos os dias com a comida brasileira! Quero conhecer as pessoas, a cultura, novos produtos, novas maneiras de cozinhar. Enfim, quero aproveitar essa experiência ao máximo”.

Nos últimos quatro anos, Camarena viu seu restaurante, aberto em 2004, ser reconhecido em pelo menos três eventos importantes. Primeiro, em 2006, o Arrop foi o “Restaurante Revelación” da famosa “cúpula” gastronômica Madrid Fusión, o que significou a entrada na elite da alta gastronomia mundial. No ano seguinte, Camarena foi nomeado o melhor chef pela academia Valenciana de Gastronomia. E, para fechar a tríade, também em 2007 o Arrop ganhou sua primeira estrela Michelin.

Mas falar dos prêmios que estão trazendo os holofotes nesses últimos anos não é o assunto preferido do chef. Simpático, Ricard gosta de falar de sabores e saberes, fazendo questão de frisar suas raízes do campo e de quanto valoriza as tradições gastronômicas que acabam reinventadas por ele em grande estilo.

“Minha gastronomia é de memória, de recuperação de sabores, mas com uma estética e técnica contemporâneas”, afirma.

Embora sempre tenha gostado de cozinhar (“e de comer”) e de ter vivido em uma casa num vilarejo onde se cozinhava bastante (“como todas as casas de ‘pueblo’), ele ainda hesitou um pouco antes de tentar a gastronomia como profissão. Para se manter, trabalhou em várias atividades, de jardinagem à construção, até que entrou para a Escola de Hotelaria e Turismo de Valência.

Para pôr em prática a paixão pelos fogões e as técnicas aprendidas em sala de aula e em diversos estágios feitos por vários restaurantes espanhóis, Ricard e sua mulher, Carmen Bañuls, resolveram abrir o próprio negócio. A dupla, jovem e nada conhecida nos idos de 2001, arrendou o bar-restaurante “La Piscina”, que ficava dentro do ginásio poliesportivo de Barx, a vila onde nasceu Ricard e que conta, até hoje, com menos de 1.000 habitantes.  Ricard cuidava da cozinha e Carmen do atendimento.

“Foi ali, naquele bar transformado em restaurante, que eu pude exercitar a minha cozinha. Durante três anos fui forjando o meu estilo e a minha técnica”, conta. “Para mim, o sabor é a qualidade da matéria-prima. Isso é inegociável e ali em Barx eu pude experimentar com os melhores produtos locais”.

A clientela gostou e o próximo passo foi abrir o Arrop em Gandía, com 80.000 habitantes e mais próxima da capital Valência. Catorze meses depois veio o prêmio no Madrid Fusión e tudo mudou.

Os anos seguintes acabaram sendo acelerados em reconhecimento e Ricard e Carmen decidiram abrir o que é hoje o Arrop, um ambiente fantástico em um antigo palacete do século XVI na capital valenciana que conserva, no centro do salão, uma antiga muralha da época árabe.

Sobre seu estilo, ele explica: “Acho que minha cozinha é de intensos sabores, é uma cozinha muito pessoal, de um ponto de vista muito valenciano mesmo. Espero que os brasileiros gostem”.

“Para essa viagem pensei em pratos com pureza de sabores e personalidade. Alguns são muito estéticos, outros nem tanto. E de ingrediente emblemático, estou levando o arroz, que combina uma piscadela com a tradição mas revestido de modernidade”.